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15.2.05
MOMENTO JABÁ - Ou NASCE UM PROGRAMA! Nasce na madrugada de quarta para quinta-feira (dia 16/2), às 2 da matina, o programa de rádio online DECIBEL, apresentado por mim. Nele, tentarei tocar o que de mais legal possa estar rolando em matéria de ROCK e POP. Novidades fresquíssimas, velharias bacanas, enfim, tudo coisa fina e que infelizmente não tem o devido espaço nos dials FMs brasileiros. Pra ouvir o programa, basta sintonizar no seu WINAMP (ou similar) o seguinte endereço: http://decibel.no-ip.info:8000/ - e use todas as barras! É claro que você estará sempre apto a sugerir bandas e músicas e fazer pedidos...é só usar o e-mail programadecibel@gmail.com Ouça, participe, divulgue! Ah, e as playlists dos programas sempre serão postadas no blog do programa - http://programadecibel.blogspot.com -, sempre após os mesmos... Espero que gostem! Grande abraço. 10.11.04
- Mister Wilson, you changed my life. Thank you. - Thank you. Isso poderia resumir tudo. Mas vou ser mais completo - e mais extenso também, advirto-os de cara. "Brian Wilson, um dos maiores gênios vivos da música pop mundial é nome confirmado para o Tim Festival que acontece em novembro em São Paulo". Assim dizia a nota de uma coluna de jornal que me pegou de olhos ainda semicerrados, recém-despertos pelo menos até aquele minuto. Ao ler a boa nova, as pernas quase fraquejaram. Li, reli, não acreditei, reli novamente - e a partir daquele momento era como se eu relesse aquela nota todos os dias em minha mente. Difícil acreditar. Se já estava há anos conformado com a forte possibilidade de o meu maior ídolo jamais se apresentar em meu país, como agora poderia crer que isso aconteceria, e em um par de meses ? E as confirmações foram então vindo. Os rumores se faziam valer em notas oficiais da organização do festival, em entrevistas com o próprio - e, claro, com a venda de ingressos. E mesmo depois de garantir meu lugar na mesa G2 do setor A, ainda assim não me sentia sossegado. Só ficaria realmente tranqüilo quando estivesse a poucos metros do milagre musical de Brian e sua banda. Passados dezenas de dias e quase meia dúzia de sonhos relacionados à ocasião, lá estava eu em São Paulo. Lá estava eu na desejada mesa. E lá também estavam amigos - uns preparados pra finalmente conhecer mais a fundo o que sempre tentei compartilhar com eles, e outros que já sabiam o que esperar: o melhor dos inesperados. E ele veio do jeito mais especial possível. Quando Brian Wilson começou o espetáculo, fazendo soar as primeiras notas de "Sloop John B.", eu despertei pro maior encontro musical da minha vida. Minhas esperanças ganhavam vida e minhas expectativas se enfraqueciam em prol de uma realidade que se fazia muito mais bonita do que elas e do que eu jamais poderia conceber. A cada música produzida em vozes, sopros, acordes, batidas e ruídos por Brian e sua (magnífica) banda, me via nesse quarto em que agora escrevo essas palavras tocando os discos; podia ver meu irmão mostrando "Fun Fun Fun" e "Barbara Ann" em vinis praquele moleque de ouvidos quase virgens de rock; me lembrava das doçuras e das dores amorosas embaladas pelas estrofes e refrões dos Beach Boys; me projetava no futuro ideal, em que tocarei "Wouldn't It Be Nice" pra mulher da minha vida, pedirei "God Only Knows" pra me despedir momentaneamente dos amores e amigos, mas não sem antes expôr todo o Pet Sounds muitas e muitas vezes, anos, incontáveis anos, às crianças que hão de perpetuar por aqui minha vida e meu amor. Ao final daquele espetáculo, só me restava ver nos olhos das pessoas - e dos meus amigos em especial - e as deixarem encontrar nos meus o brilho que resumia tudo que havíamos acabado de experimentar. Sorrisos em profusão, palavras se perdendo em definições vãs porém sempre muitíssimo bem intencionadas...enfim, alegria em seu estado mais puro. Esse sentimento eu e meu amigo Daniel Cariello tivemos a felicidade de captar em Darian Sahanaja, tecladista e uma espécie de "capitão" da banda de Brian, ajudando-o a reger com primazia o show. O encontramos perto de um bar, fomos lá cumprimentá-lo e pedir autógrafos. Acabamos ganhando não apenas o que fomos buscar, como também um ótimo papo, confidências e impressões, alguma confiança de rever Brian em novos shows por aqui...e um novo amigo, de fato, sem fugir da real acepção da palavra. Mais um presente ganho na inesquecível noite de 7 de novembro de 2004. Dormir foi difícil. Na mente, as lembranças vívidas, e a expectativa por um novo encontro com Brian Wilson - dessa vez numa megastore, para a tarde de autógrafos de Smile. O que dizer a ele ? Apertar a mão ou não ? Esses eram apenas dois dos muitos assuntos debatidos com os colegas que aguardaram comigo pela chegada de Brian por quase três horas. Quem visse de fora certamente enxergaria crianças em corpos de adultos, animadas, ansiosas, felizes. Eu era a quinta pessoa da fila. A chegada de Brian foi saudada com efusivos aplausos. Aparentemente descansado, ladeado por um amigo/assistente e vários seguranças da loja, nós logo vimos que o ritual do autógrafo seria algo quase que mecânico - até porque a fila já estava bem grandinha, tendendo a aumentar, e um senhor de 62 anos não pretendia ficar ali por pouco mais do que uma hora. Mesmo tendo a confirmação disso tudo no tratamento dado pelo tal amigo/assistente às quatro primeiras pessoas, intermediando completamente o contato delas com Brian, fiz que não era comigo. É quando voltamos ao melhor pequeno diálogo da minha vida com que comecei esse texto, enriquecido pelo aperto da mão daquele que, mais do que tudo e todos, me fez querer ser músico - e pela foto tirada por Cid, o sexto da fila. Queria ter podido falar mais, mas creio ter conseguido ser bastante eloqüente na frase que saiu de mim naquela hora. Também queria que o clima sensacional daqueles dois dias pudesse durar eternamente. Só não preciso desejar que eu volte no tempo pra rever o show de Brian Wilson. Tecnicamente, foram cerca de 110 minutos de espetáculo. Para mim, no entanto, ele continuará para sempre. Love & mercy, Carlos Alexandre// P.S.1: Esse texto também se encontra no blog do site da minha banda, Netunos - http://www.netunos.com.br. P.S.2: Agradeço a todos os amigos, novos e antigos, que comigo compartilharam essa imensa alegria - e em especial, Ana Laura e Mariane, sempre queridas demais, amadas demais; Cid e JP, companheiros de jornada; e Daniel Cariello - cara, nós conseguimos... 22.9.04
O MELHOR Falem o que falar, mas nada é melhor do que Jamelão no anúncio da sandália da Gisele. Insuperável o "islô môcho bossa nova drim" entoado pelo mito. 25.5.04
COISA BOA... Depois do Oscar, Michael Moore arrebentando em Cannes com o seu "Fahrenheit 9/11 - recebendo a Palma de Ouro das mãos de Quentin Tarantino...Excelente! ...E COISA RUIM! E o Flamengo do Brasileirão que não se ajeita...? Aliás, o calvário carioca no campeonato já era anunciado mesmo. Se bobear, vai nos restar a tentativa do título da Copa do Brasil (que em outros tempos, a se julgar pelos adversários seria dado como conquista certa - em outros tempos, eu disse!) e batalhar pra não fazer feio ou pelo menos escapar do feíssimo. PROMESSA É DÚVIDA Ainda não consegui o setlist certinho do show do Teenage Fanclub no CPF. Um doce pra quem colá-lo nos comentários! BALANÇA E CAI O Orkut é realmente bacaninha, mas é instável pra cacete... 12.5.04
TAÍ O QUE VOCÊS QUERIAM... Conforme o prometido, eis aqui o set list do show do Pixies no CPF: 1- Bone Machine 2- Cactus 3- Nimrod's Son 4- U-Mass 5- Crackity Jones 6- Isla de Encanta 7- Vamos 8- Monkey Gone to Heaven 9- Hey 10- I Bleed 11- Broken Face 12- Something Against You 13- Mr. Grieves 14- Velouria 15- Caribou 16- Number 13 Baby 17- River Euphrates 18- Levitate Me 19- The Holiday Song 20- Gouge Away 21- Wave of Mutilation 22- Tame 23- Here Comes Your Man 24- Where Is My Mind Bis 25- Gigantic 26- Debaser 27- Into The White 28- Planet of Sound O do Teenage Fanclub eu tô devendo - mas vou pagar. ELES ESTÃO CHEGANDO... Leiam aqui e aqui para saber de tudo. Depois não digam que eu não avisei... 10.5.04
ESSE MACACO FOI PRO CÉU Era muita coisa boa junta pra resistir à tentação do Curitiba Pop Festival 2004: visitar pela primeira vez a capital paranaense, (re)encontrar amigos de todo o Brasil, conhecer o novo lar de um amigo querido (Augusto e Patrícia, obrigado pela acolhida !)- e, claro, ver duas das minhas bandas favoritas em ação. Antes de falar das atrações principais do CPF, queria cair no lugar comum de elogiar a organização do festival pela pontualidade, pela seriedade e rapidez na entrega dos ingressos comprados online, e até pelos ônibus gratuitos que puseram à disposição do público na saída da pedreira Paulo Leminski. Deixando de lado o episódio da abertura das grades que separavam os dois setores do público no último dia, tudo correu de forma magnífica. Da noite de sexta-feira, confesso, vi muito pouco. Cheguei à pedreira momentos antes do início do show do Sonic Jr, dupla cujo show já tinha visto aqui no Rio. Por conta disso e também pela empolgação em encontrar tanta gente querida, o som dos caras fez as vezes de trilha sonora a embalar a matança das saudades do povo de Minas, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Florianópolis...Só comecei a fixar as atenções no palco pra valer a partir do Hell On Wheels. Achei o trio sueco 'ok'. Nada que me fizesse redigir alegres linhas de elogios rasgados como os seus sucessores do Teenage Fanclub. Os escoceses comprovaram em sua performance o porquê do meu carinho por eles. Donos de uma simpática timidez, eles deram aos presentes um apanhado do que há de mais fino em seu repertório, tocando clássicos do meu aparelho de som como "Metal Baby", "Mellow Doubt", "About You"...destaque para "Neil Jung" (uma de minhas favoritas), "What You Do To Me", a deliciosa e ovacionada "Sparky's Dream" e "The Concept". Conclusão: a apresentação deles me fez sentir uma inveja danada dos amigos paulistas que puderam assistir à quatro apresentações dos caras na mesma semana - três em Sampa, uma em Curitiba! Precisam voltar ao Brasil logo, logo e dar aos cariocas essa mesmíssima colher de chá. Nós merecemos... No sábado cheguei mais cedo, a tempo de pegar pela metade a apresentação da quarta banda do dia, a Excelsior. Achei muito simpático o som deles, e curti também o arzinho blasé da vocalista, que é uma gracinha. Em seguida veio a única banda a representar o Rio de Janeiro no festival, os Autoramas. Gabriel, Simone e Bacalhau fizeram bonito. Num set curto porém eficaz, tocaram com um som bastante bom - o melhor que já ouvi num show deles - e levantaram boa parte dos presentes...muito bacana! Logo depois da apresentação, lá fui eu encontrar meus amigos novamente num dos bares da pedreira. Algumas cervejas e risadas depois, voltei a dedicar minha atenção ao palco no meio do show do Ludov. Arranjos bem-cuidados, melodias idem, letras legais, vocalista carismática...vi pela segunda vez e gostei novamente. Na seqüência, os curitibanos do Relespública fizeram um show divertido. O trio deixou o público satisfeito com um som mod-rockabilly, dando uma esquentada no povo que já começava a sentir o frio da noite (apesar de o da véspera ter sido mais rigoroso). Encerraram sua participação no festival com uma versão excelente pra "Won't Get Fooled Again", clássico do The Who e música-tema de "CSI:Miami", uma de minhas séries favoritas. Sucedendo os locais, o Mombojó. Ouvi o disco dos caras, que é interessante mesmo, e estava curioso pra vê-los em ação. Apesar da voz ter ficado baixa na eqüalização, deu pra sentir que a banda é boa, com sacações muito pertinentes e que certamente ainda vai dar muito o que falar. Os recifenses saíram de Curitiba com seu talento reconhecido pelo público. Já a antepenúltima atração do CPF de desconhecida não tinha nada. Muito pelo contrário: Flu, Frank Jorge e Wander Wildner já são caras fáceis na coleção de discos dos roqueiros brasileiros, em seus trabalhos solos ou em suas bandas de origem, DeFalla, Graforréia Xilarmônica e Replicantes, respectivamente. O trio gaúcho estava ali pra divertir e pra se divertir, no que foi o mais despojado show da noite. Localizado no centro do palco, Wander Wildner se mostrou muito à vontade, e foi dos três o mais contemplado no set list. O bardo do punk brega foi praticamente um mestre de cerimônias da apresentação, e sua performance porralouca sintonizou bem em contraponto com a timidez de Frank Jorge e a discrição de Flu. A platéia se esbaldou em conhecidas pérolas do rock gaudério, como "Empregada", "Eu Tenho Uma Camiseta Escrita "Eu Te Amo"", "Eu"...pulos, suor e cantoria até a última música, a não menos conhecida da galera "Surfista Calhorda". Tive o prazer de encontrar o Frank Jorge no aeroporto, e o cara me disse que, pra eles, a participação no CPF também foi só felicidade. A alegria do público após tantos shows legais era obviamente recheada também pela expectativa em torno da atração principal. E eis que, logo após a performance dos Pin Ups, lá estavam Kim Deal, David Lovering, Joey Santiago e Frank Black - ou melhor, Black Francis, já que a noite era dos Pixies. E era MESMO. De "Bone Machine" (primeira do set) a "Planet Of Sound" (a última do bis), o público esteve entregue à felicidade da oportunidade - única, todos sabem - de estar recebendo a banda em solo brasileiro. E o quarteto de Boston superou as expectativas. Admitamos, foi fácil demais. Entraram com o jogo ganho, mas confirmaram a vitória a cada música. No meio da multidão extasiada, pude ver cenas de histeria, de comoção, de pessoas que só faltavam se beliscar pra acreditar que os Pixies estavam ali, tocando pra nós canções como "Hey", "Gigantic", "Vamos", "Broken Face", as minhas favoritas "Wave Of Mutilation" e "Velouria", "Where Is My Mind?", "Monkey Gone To Heaven", "Tame"...Foi um belíssimo apanhado da carreira deles, com canções de todos os cinco discos de inéditas que lançaram. Em meio à sua performance matadora, ficou claro que o grupo se surpreendeu com a calorosa recepção do público, que cantou junto o tempo todo - inclusive as letras de músicas não tão manjadas como "Mr. Grieves" e "Something Against You". O sorriso não saía do rosto da "veterana de Curitiba" Kim Deal; Joey Santiago, num visual totalmente diferente do que ostentava no auge da banda, provou e comprovou seu bom gosto e criatividade com a guitarra; David Lovering era pura felicidade, e chegou até a pedir a sua colega baixista que tirasse uma foto dele de braços abertos e tendo a galera no fundo; e Black Francis é aquela figura carismática que todos já sabíamos que era, mesmo sem ter dado um "Hello, Curitiba!" no microfone. Querem saber? nem fez falta: a música da banda se encarregou de tudo. Como costuma-se dizer, o resto é história. E isso tudo porque, ao menos pra mim, a ficha ainda tá caindo... p.s.: Tentarei no próximo post publicar os setlists do Teenage Fanclub e do Pixies. 6.5.04
Daqui a pouco me mando pra Curitiba. É claro que estou indo pra ver Pixies e Teenage Fanclub... Na volta, contarei aqui um pouco como foi. Aos que eu não encontrar por lá, cuidem-se e até a volta! 28.4.04
O REDENTOR Ontem lá fui eu ver “Kill Bill”. Sentei-me na poltrona da última fila do cinema ávido por matar as saudades de Quentin Tarantino e suas deliciosas idiossincrasias; e, duas horas e vinte minutos depois, era o último a abandonar a sala ao fim daquela sessão, satisfeito por ter sido lembrado da sensação boa que é assistir a um filme de Tarantino – ainda que nunca a houvesse esquecido realmente. Claro que eu já imaginava que seria assim. Pelos trailers, pelas resenhas, pela grande expectativa, estava certo de que poderia esperar pelo melhor, porque ele viria. Só não sabia COMO viria. E, ao mesmo tempo, sabia sim. Explico: acredito que o grande e genial segredo de Tarantino é justamente apostar no clichê, abraçar o previsível; mais do que isso, redimí-lo. É isso: Quentin Tarantino é o redentor do lugar comum. Sua ousadia mora no despudor em usar e abusar do que já pôde ter sido considerado óbvio e de “gosto duvidoso” e fazer muita gente libertar-se da culpa de gostar disso tudo. Em “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”, o diretor/roteirista visitou o universo dos romances policiais; em “Jackie Brown”, os setentistas filmes de “blaxploitation”, com atores negros, música negra, universo ‘black’; e agora foi a vez de homenagear e beber na fonte dos velhos filmes de lutas orientais que consagraram Bruce Lee. E que homenagem. Toda frase é uma jura de vingança sangrenta. Toda vingança sangrenta é executada ao som de katanas em choque. E antes de cada choque das katanas, seus donos protagonizam um balé que é essencialmente sincero dentro daquele delicioso universo de mentirinha. – aliás, se de algum lugar o velho Bruce andou acompanhando os últimos lançamentos, deve ter feito muxoxo pra assepsia digital de “Matrix” e se emocionado com o desempenho reverente de Uma Thurman, Lucy Liu e cia. Falando novamente nele, em “Kill Bill” não só há um muito de Bruce Lee em todo lugar. Ao seu lado, pipocando por toda hora estão os videogames de violência extrema, as séries antigas de kung fu, os filmes que até pouco tempo figuravam numa sessão obscura da Band, os atores renegados pela “realeza” de Hollywood, as músicas que só Tarantino ousaria pôr na trilha – qual outro diretor escolheria a versão disco de “Don’t Let Me Be Misunderstood” como tema da luta final ? Isso sem falar no seu talento incomum em construir roteiros, em seus progressos na técnica de movimento de câmeras, nos ângulos inusitados, na sensacional idéia de usar animação japonesa pra contar a história de uma das vítimas da vingança d’A Noiva...Trocando em miúdos, “Kill Bill” é o clichê que todos já cansamos de ver de um jeito nada clichê. Isso é gostar de Tarantino. E gostar de Tarantino é gostar de diversão. 21.4.04
Hoje, feriado, completamente refeito das extensas comemorações de mais um, mais um título do Flamengo sobre o Vasco, me sinto em condições de escrever sobre esta nova conquista. O gol do medíocre Coutinho, no apagar das luzes do primeiro jogo, chegou a dar alguma esperança aos torcedores cruzmaltinos. Alguma. Faço questão de sublinhar o "alguma" porque ela não pareceu forte o suficiente pra se converter em positividade pro adversário. Ao longo da semana, se perdeu em bravatas de dirigente, em palavras mal ditas e malditas do treinador...e, na hora do vamos ver, não motivou suficientemente os adversários, de modo que foram de longe minoria no Maracanã, seja na expressão da torcida ou do time. Mas voltemos a falar do que foi bom. Excelente provar que, ao contrário do que foi erradamente dito, o Flamengo não é equipe de um jogador só. Maravilhoso constatar a união do elenco, sob a liderança de Júnior e o comando de Abel, que me foi uma grata surpresa. E bonito saber que, no fim das contas, o herói do jogo foi um jogador nascido na Gávea - e que o principal craque, criado no berço do oponente, hoje se declara 100% identificado com o rubro-negro. O Flamengo e Vasco do domingo me lembrou o clichê dos romances: o vilão que fala, trama, esbraveja; mas que, ao se deparar com o herói, desfaz-se em medo, incompetência e fraqueza antes, durante e depois do confronto. Tudo pra chegarmos à verdade que soa arrogante pra muitos, chata pra vários mas que, de forma declarada ou enjaulada como o segredo a se evitar, se mostra incrivelmente legítima, intransitiva e independente de títulos: o Flamengo é superior. Simplesmente superior. 16.4.04
Hoje o dia é de recomendações. Já viram o desenho que a MTV anda exibindo, o dos "Happy Tree Friends" ? São episódios que mostram as aventuras de uma turma de bichinhos que vive numa floresta. Aparentemente enquadrados no estilo "fofurinha-de-papel-de-carta-de-menininha", eles sempre acabam se envolvendo numa trama de mortes gratuitas bem ao estilo "Comichão e Coçadinha". Óbvio porém engraçadinho. E eis que então, como se os Happy Tree Friends já não fossem bem inclinados ao politicamente incorreto, surgiu na Internet uma versão/paródia piorada deles: os "Retarded Animal Babies". O grupo é composto por cinco amigos - um burro, um cachorro, um gato, um hamster e um coelho - desbocados, tarados, suicidas, escrachados que protagonizam histórias insanas e altamente divertidas em formato flash, encontradas em http://www.newgrounds.com/collections/rab.html. Recorrendo à animações já populares e do conhecimento de todos, "Happy Tree Friends" está para "Simpsons" assim como os "Retarded Animal Babies" está pra "South Park". Bom, comparações à parte, curti muito mais os RABs. E vocês ? * * * Indo pro campo da música, sugiro que ouçam com bastante carinho: The Decemberists- Castaways and Cut-Outs British Sea Power- The Decline Of British Sea Power Dios-Dios Of Montreal- Satanic Panic In The Attic É tudo coisa fina. Depois falo mais sobre cada uma dessas bandas. |